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Observações sobre o uso de celulares em sala de aula

Por Davi Félix

O tema não é novo. O uso dos aparelhos celulares em sala de aula tem dividido não só a atenção dos alunos, mas a opinião de muitos educadores. Afinal, o uso dos celulares em sala de aula é um recuso tecnológico que pode contribuir no aprendizado do aluno ou é pura Sem título-1distração?

Para muitos o uso excessivo desses aparelhos está se configurando um problema, principalmente quando se trata do contexto escolar. Para outros é possível sim usar essas tecnologias da informação como ferramentas de aprendizado, mas como?

Vejamos. Estamos vivendo num tempo de profundas transformações. As tecnologias digitais estão cada vez mais presentes na vida das pessoas e cada vez mais cedo. Dentre vários exemplos podemos nos limitar ao uso dos celulares, chamados também de smartphones, que quer dizer telefone inteligente visto que cada vez mais estes aparelhinhos possuem diversos recursos, não só o de fazer ligações, mas bate papos, com acesso à internet e conteúdo multimídia. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2013, o número de pessoas a partir dos 10 anos de idade que utilizam celular cresceu 107,2% entre 2005 a 2011. Em 2011 o número de usuários que utilizam o telefone móvel para uso pessoal já somava 115 milhões desta mesma faixa etária, ou seja, mais da metade dos brasileiros utilizam celular.

Com a facilidade de acesso a estes aparelhos o problema (ou não, dependendo do ponto de vista) chega na escola. Muitos alunos usam indiscriminadamente seus aparelhos no momento da aula o que tem incomodado muitos educadores alegando a falta de atenção por parte deles. Já existem, em vários estados do País, leis que regulam o uso e a entrada dos ditos aparelhos. A exemplo da lei nº 4.131, de 02 de maio de 2008, do Distrito Federal, que “proíbe o uso de aparelhos celulares, bem como de aparelhos eletrônicos capazes de armazenar e reproduzir arquivos de áudio do tipo MP3, CDs e jogos, pelos alunos das escolas públicas e privadas de Educação Básica do Distrito Federal e dá outras providências”. Há ainda um PL (projeto de lei) que circula no congresso para proibir o uso de aparelhos eletrônicos portáteis em sala de aula em todo país, desde a educação básica à superior.

Percebemos que é um fenômeno presente em toda a rede de ensino da educação formal, do fundamental ao superior. Mas qual seria a solução? Se é que há alguma. Pois bem, prefiro acreditar que a escola tem um papal fundamental de conscientização no manejo e uso dos celulares como um instrumento de letramento, conhecimento, de informação e de inclusão e socialização com o mundo. Privar o aluno com leis que proíbam o uso dos aparelhos alegando que o aluno não presta atenção na aula, ou para preservar a “essência” do ambiente pedagógico, parece não ser a melhor das soluções, ou porque o aluno continuará desatento, e aí o problema não será o celular, mas estará no próprio aluno, em sua falta de foco, ou se somente o celular prende a atenção do aluno, e será preciso orientá-lo para seu uso adequado.

A escola precisa se posicionar de alguma forma para que não seja necessário dispositivos legais que regulamentem esses usos na instituição, pois melhor será a escola, os professores, a equipe pedagógica cumprirem o papel de formarem cidadãos críticos, participativos, que interajam  nos processos tecnológicos para o seu desenvolvimento cognitivo e social à leis que discipline e privem os alunos em sala de aula. A escola pode começar por reservar disciplinas com o propósito de educar criticamente no uso consciente das novas tecnologias e de qualificar os professores em como lidar com o fato, para que possam entender os aspectos positivos e negativos, para que estes possam alertar para os alunos os devidos perigos, do uso excessivo, da rede de internet, etc., e de como usar em benefício de seu aprendizado.

Mesmo que para os alunos do ensino superior essa questão seja aparentemente mais fácil de resolver em comparação aos alunos da educação básica, visto que o professor pode propor um acordo, ou tendo em vista certos professores não dão importância para o situação, no ensino básico é um pouco mais complexo, tanto pela falta de maturidade ou estrutura que os alunos não predispõem como pela falta de orientação da, família, dos amigos, por exemplo.

Se os alunos não dão importância à aula do (da) professor(a) e ficam distraídos com seus aparelhos, seja em vídeos, músicas ou no bate papo, é certo que se trata de uma falta de respeito pelo profissional que está ali na frente, nesse sentido o aluno deve ser chamado a atenção, e não só isso, deve-se chamar a atenção de toda a sala para o uso dos aparelhos celulares em seus contextos de uso, exemplos de que eles não usam o celular quando está em uma consulta médica, ou não deveriam usar em locais como igrejas, cinemas, museus, entre outros estabelecimentos públicos ou privados, em que também existem leis para esses casos. É necessário que as aulas, na sala, sejam lugar de interação, com propostas mais aberta e participativa em que as modalidades tecnológicas façam parte como estratégias educacionais, tal como já existem louças eletrônicas, tablets, e tantas outras tecnologias de informação e comunicação (TIC) que trazem grandes contribuições e formas simples de compressão e apreensão dos conteúdos das aulas.

O que vale, e acho fundamental o papel da escola nesse processo, é a concretização e a orientação devida nos usos das diversas tecnologias, visto que podem ser usadas para benéficos do aprendizado, da socialização, do letramento, como também pode torna-se prejudicial. Sem o direcionamento devido e a falta de orientação o uso dos celulares na aula não será proveitoso.

Os riscos que podem ocorrer no uso dos celulares, tanto dentro, quanto fora da sala, consiste sobretudo no acessa à internet. O mundo da internet é repleto de conteúdo, dos diversos tipos, bons e maus. Como muitos jovens gostam de se exibir nas redes sociais podem comprometer sua segurança ao se expor demasiadamente, podendo ser vítimas de golpes, de hackers, falsas propagandas, e outros conteúdos indesejáveis que ronda a rede, tais como a pornografia infantil, o racismo, a intolerância, o ódio e o preconceito das mais variadas formas.

Além disso o uso excessivo dos aparelhos celulares, com sua vasta possibilidade, pode causar danos psíquicos, tornado os usuários viciados compulsivos desses aparelhos, sendo, dessa forma, algo prejudicial e que pode tomar todo o tempo do indivíduo, privando-os de fazerem coisas básicas, tendo, portanto, uma vida muita superficial baseada no mundo virtual.

É preciso ter em vista a realidade dos alunos, alguns não são orientados adequadamente, outros já têm uma postura mais alinhada aos contextos locais de uso. Entretanto, na sala de aula, caso não havendo uma compreensão do aluno do uso correto e consciente, serão necessários intervenção do professor. Tal como é inconcebível o aluno falar ao telefone no momento da aula, mas compreensível o aluno avisar ao professor e sair da sala para atender uma ligação urgente. Porém se o estudante persistir em seu erro e não se conscientizar da importância do momento da aula, desviar toda sua atenção em conversas nas redes sociais, por exemplo, não dando importância àquele momento, deveras será prejudicado o próprio aluno, e que também deixará o professor insatisfeito por sua falta de atenção. Nesses casos o professor, junto com a coordenação pedagógica da escola, necessitará tomar medidas necessárias, seja em forma de regulamento interno ou medidas emergentes para sanar o problema.

Por outro lado, é grande e promissor os benefícios que as tecnologias da informação e comunicação trazem à educação. Segundo a Unesco, em documento intitulado “Diretrizes de políticas para a aprendizagem móvel”, há uma série de vantagens das quais as tecnologias móveis, como as dos celulares, podem ser usadas como ferramenta de auxílio dentro e fora da sala de aula. Nesse documento consta que as tecnologias móveis podem ampliar e enriquecer as oportunidades educacionais através de uma aprendizagem móvel, que descentraliza o lugar do saber, entendido erroneamente como sendo somente a escola e a sala de aula. Essa aprendizagem móvel, segundo esse documento:

“envolve o uso de tecnologias móveis, isoladamente ou em combinação com outras tecnologias de informação e comunicação (TIC), a fim de permitir a aprendizagem a qualquer hora e em qualquer lugar. A aprendizagem pode ocorrer de várias formas: as pessoas podem usar aparelhos móveis para acessar recursos educacionais, conectar-se a outras pessoas ou criar conteúdos, dentro ou fora da sala de aula. A aprendizagem móvel também abrange esforços em apoio a metas educacionais amplas, como a administração eficaz de sistemas escolares e a melhor comunicação entre escolas e famílias. ”

Por toda a facilidade de acesso e com o barateamento dos aparelhos, visto que os usos dos computadores pessoais (PCs) estão em queda, talvez pelo preço ou pela falta de portabilidade, restam os aparelhos móveis, tal como os próprios celulares, os tablets, notebooks, laptops, e outros similares que acabam no gosto da população.

Dentre os benéficos práticos que os aparelhos pode proporcionar são: o acesso aos conteúdos e aulas online, a aprendizagem através de programas específicos, como por exemplo programas para aprender outras línguas, a interatividade em fotos, mapas, através de tela sensível ao toque, as comunidades de bate papo entre os alunos e o professor, grupos de discussão, vídeo aulas, compartilhamento de informações, escrever notas rápidas e editá-las depois, edição de trabalhos em arquivos de textos, podendo ser para impressão ou não, escrever e postar em blogs, e diversas outra atividades.

A educação formal é ao mesmo tempo tradicional e inovadora, tradicional pelo fato de ser uma instituição que tem sua história, seus padrões e regras formais, em que toda mudança se dá de forma lenda e gradual, e inovadora pois precisa estar sempre atualizada, fazer uso das tecnologias e entender o papel da escola na sociedade, e que esse papel está sempre se resignificando.

O professor precisa enxergar que o celular é uma ferramenta, mesmo que o aluno não use como tal, e que pode ser usado em benefício da aula e do aluno. O planejamento do professor deve considerar essas ferramentas tecnológicas, e reconhecer o celular como uma ferramenta digital.

A escola e os professores precisam dominar as ferramentas tecnológicas, saber empregá-las, transmitir suas informações e conteúdos para que sejam mais dinâmicos, mais interativos, mais eficazes. Precisamos, sem dúvidas, olhar com bons olhos o uso dos celulares, observando é claro, suas limitações, alcance no uso consciente para o bem.

Referências

Lei nº 4.131, de 02 de maio de 200. Disponível em : http://www.sinprodf.org.br/wp-content/uploads/2011/03/lei-nº-4.131-de-02-de-maio-de-2008.pdf>. Acesso em 10 nov 2015.

Número de usuários de internet e de pessoas com celular cresceu mais de 100% no Brasil. Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/infraestrutura/2013/05/numero-de-usuarios-de-internet-e-de-pessoas-com-celular-cresceu-mais-de-100-no-brasil&gt; Acesso em 18 nov 2015.

Diretrizes de políticas da UNESCO para a aprendizagem móvel. Disponível em: <http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/single-view/news/diretrizes_de_politicas_da_unesco_para_a_aprendizagem_movel_pdf_only/#.VlKLEqLkKgk&gt;. Acesso em 19 nov 2015.

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