linguística

Os Estudos linguísticos na antiguidade clássica ocidental

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Não podemos analisar a linguística ocidental hoje sem nos remetermos a Grécia antiga, pois foi lá que os pensadores gregos já se debruçavam sobre as questões da linguagem, na época denominada antiguidade clássica, (século V a.C.). Deve-se aos pensadores gregos que já nesta época inquiria seus pensamentos para compreender desde a menor matéria até as questões astronômicas, nas várias ciências perpassando pela linguagem. Nessa época, outras culturas como a dos hindus já tinham trabalhos sobre linguagem, mas ficou restrito a eles, com fins em questões religiosas, como por exemplo querer manter vivas as pronúncias do sânscrito, língua sagrada hindu, para os rituais sagrados. O sânscrito só ficou conhecido mundialmente no final do século XVIII, quando o inglês Sir William Jones revelou ao mundo comparando-o com o grego e o latim.

Os Gregos desenvolveram os estudos da linguagem com um olhar investigador e com base filosófica. A filosofia na Grécia antiga era mais abrangente, nas discussões filosóficas compreendia todas as questões do conhecimento do mundo, e apesar dos gregos terem contato com outros povos de línguas diferentes, eles consideravam com desprezo as línguas estrangeiras, somente a língua grega era considerada e tida como superior. Os gregos foram egocêntricos quando toma a sua língua para os estudos como sendo a superior as línguas das outras nações, talvez pela intelectualidade dos pensadores gregos e pela capacidade de análise de várias questões científicas sempre com espirito questionador investigativo. “Foi, porém, com os gregos e na sua civilização que se desenvolveu, pela primeira vez na história da humanidade um desejo insaciável de indagação sobre a realidade circundante e sobre os modos de ser do homem no universo. Entre os gregos, houve aqueles que insistiram na investigação de coisas que outros não conseguiram compreender ou pelas quais não mostraram interesse.” (ROBINS, 1979, p. 8).

Ainda segundo Robins, o alfabeto grego foi desenvolvido através do alfabeto fenício, que era composto de letras consonantais e adaptou ao grego acrescentando as vogais.

Platão, (427-347 a.C.) grande filosofo grego, foi um dos primeiros a discutir a natureza das palavras, em sua obra Crátilo, que é um diálogo entre Crátilo, Hermógenes e Sócrates, que levanta a questão da  linguagem , se é simplesmente um ato de comunicação ou uma fonte de conhecimento, e se havia alguma ligação direta da palavra com a coisa representada(denotata),  e se a nomeação das coisas é algo imposto pela natureza ou imposto pelos homens numa convenção social.

Essas discursões ganhou força em duas grandes controvérsias: natureza (phýsis) versus convenção (nómos ou thésis) e analogia (analogía) versus anomalia (anōmalia), “Crátilo sustenta que a língua espelha exatamente o mundo: Hermógenes defende a posição contrária, a de que a língua é arbitrária; Sócrates representa a instância intermediária, ressaltando tanto os pontos fortes quanto as fraquezas dos argumentos dos outros dois e levando-os, por fim, a uma solução conciliatória.”(WEEDWOOD, 2002,p.25)

Aristóteles (384-322 a.C) discípulo de Platão, adotou a convenção, afirmando que: “A linguagem resulta de convenção, visto que nenhum nome surge naturalmente” e segundo Weedwood, delineou um processo em três etapas: “os signos escritos representam os signos falados; os signos falados representam as impressões (pathemata) na alma, e as impressões na alma são a aparência das coisas reais. As impressões e as coisas, observa Aristóteles, são as mesmas para todos os homens, ao passo que diferem as palavras que representam a interpretações”( WEEDWOOD, 2002). Na dicotomia analogia e anomalia, Aristóteles preferiu a analogia, ou seja, a alteração da palavra para se adaptar a um modelo pré-existente na mudança de seu significado segue um princípio de regularidade.

Já os estóicos, (século III-II a.c.) escola de pensadores naturalistas fundada por Zenão de Cício, partindo do princípio da anomalia, onde diz que a língua é expressa por irregularidade “consideravam a linguagem como uma capacidade humana natural que se deveria aceitar tal como é, com todas as irregularidades características, (…) como filósofos, admitiam que a linguagem servia para expressão do pensamento e das sentenças …”. Ao rejeitar a equação ‘uma palavra, um significado’, os anomalistas estóicos demostraram notável compreeção da estrutura semântica da linguagem: os significado das palavras não existem isoladamente e podem variar de acordo com a situação contextual…”  (ROBINS,1983).

A etimologia, a fonética (pronúncia) e a gramática foram os principais ramos dos estudos linguísticos na antiguidade clássica. Os estóicos analisaram mais o grego falado (koinē) e os alexandrinos se preocuparam mais com a linguagem dos escritores literários gregos como Homero. Todos estes estudos primórdios foram muito importantes para o desenvolvimento da linguística hoje como ciência autônoma.

 Davi Felix